Este artigo foi publicado originalmente pelo WRI Brasil.
Mais de 70 pessoas, entre representantes de governos, embarcadores, transportadores, operadores de infraestrutura, fabricantes de veículos e organizações da sociedade civil, participaram da primeira reunião da plataforma e-FAST Brasil.
O encontro teve como tema o potencial dos corredores verdes — rotas estratégicas dotadas de infraestrutura de recarga – para acelerar a adoção de caminhões elétricos para o transporte rodoviário de cargas no Brasil. Ao reunir apresentações sobre as perspectivas do governo federal e experiências privadas em curso, e abrir espaço para interações com atores de uma dezena de setores, o encontro foi uma amostra significativa do apetite pelo tema e do potencial da colaboração para avançar a agenda de descarbonização.
“Com essa plataforma, queremos estruturar um espaço de troca técnica e de construção coletiva de soluções que viabilizem a eletromobilidade no transporte de carga, a partir de uma perspectiva multissetorial”, destacou Magdala Arioli, gerente de Descarbonização do Transporte do WRI Brasil, na abertura do evento.
Coordenada pelo WRI Brasil, a Plataforma já integra parceiros oficiais como Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Shakti Foundation, Calstart. Verda, Cullen, Go Electric, Arrow, EzVolt, Mev, WeCharge, Braspress e a ABDE, representando diferentes elos da indústria e da logística sustentável, além de dezenas de outros parceiros que estão em processo de engajamento.
Governo federal destaca eletromobilidade e metas climáticas
Adalberto Maluf, secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do MMA, destacou o papel estratégico do setor de transportes na mitigação climática e a importância da eletromobilidade para a descarbonização. Maluf também destacou as diretrizes nacionais para a descarbonização do setor desenvolvidas com o WRI Brasil e apresentadas recentemente. “Esse projeto [da e-FAST Brasil] surge em um momento muito oportuno”, avaliou.
Representando a Coordenação Geral de Projetos Especiais e Mudança do Clima da Subsecretaria de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Thiago Casagrande apresentou o capítulo setorial de Transportes do Plano Clima Mitigação, que esteve recentemente em consulta pública e prevê um programa de corredores verdes rodoviários com pontos de recarga ultrarrápida.
Primeiros passos para um corredor verde no Brasil
Laís Caldeira, da Calstart, e Thomas Deloison, do Smart Freight Centre, apresentaram a iniciativa Global Green Road Corridors (GGRC), que desenvolve modelos replicáveis de corredores verdes em diversos países. Atualmente, há 11 corredores ativos em vários continentes. Na América Latina, o projeto do primeiro corredor está em desenvolvimento e deve ter implementação no Brasil.
“Queremos tornar o Brasil um exemplo global de transporte de carga sustentável. A meta é construir um corredor verde que conecte centros logísticos com confiabilidade operacional, segurança para os motoristas e viabilidade econômica”, disse Deloison.
Relatos sobre viabilidade técnica e desafios
Representantes do setor privado apresentaram experiências que evidenciam o crescimento do mercado e mostram a viabilidade de caminhões elétricos pesados em diferentes contextos, mas também a importância de corredores verdes.
A XCMG, fabricante de caminhões elétricos chinesa com planta em Pouso Alegre (MG), apresentou os modelos homologados no Brasil, incluindo veículos pesados com autonomia de até 400 km. Um desses modelos é utilizado pela RN Logística em um trajeto total de 244 km entre uma fábrica e um centro de distribuição da Nestlé no interior de São Paulo. A operação foi viabilizada por infraestrutura de recarga instalada pela Go Electric junto à fábrica, em Caçapava (SP), e o centro de distribuição em São Bernardo do Campo (SP).
Leonardo Mendonça, da ArcelorMittal, relatou que a siderúrgica acumula boas experiências com veículos pesados, mas que há contextos em que há desafios a superar. Segundo Mendonça, nenhum caminhão elétrico testado pela empresa consegue completar trajetos que incluam a subida da Serra de Curitiba, devido à aclividade acentuada. “A solução seria instalar um ponto de recarga no pé da serra”, explicou.
Convergência de setores marca início da atuação da plataforma
A reunião marcou o início das atividades da plataforma e-FAST Brasil. Nos próximos meses, estão previstos encontros sobre viabilidade técnico-financeira, custo total de propriedade (TCO), modelos de negócio, financiamento, crédito de carbono, oferta de veículos e maturidade tecnológica.
Interessados em integrar a iniciativa e acompanhar as atividades podem acessar o site efastbrasil.org ou enviar e-mail para contato@efastbrasil.org. “A plataforma está aberta à participação de novos atores interessados. Queremos fomentar conexões e criar pontes entre desafios e soluções”, afirmou Mariana Barcelos, coordenadora de Descarbonização do Transporte no WRI Brasil.
