4º encontro da e-FAST Brasil discute modelos de negócio para a eletrificação do transporte de carga

Encontro também tratou de monitoramento, a partir de avanços no Roteiro para Eletrificação do Transporte de Carga em desenvolvimento pela plataforma coordenada pelo WRI Brasil
homem acopla cabo para recarga de furgão elétrico ao carregador
Recarga de veículos: decisão sobre modelo de fornecimento de energia é um dos pontos-chave para modelo de negócios (foto: Roosevelt Cássio/WRI Brasil)
Quando uma empresa decide eletrificar sua frota de caminhões elétricos, precisa fazer escolhas que vão muito além da compra dos veículos. Dentre os fatores fundamentais para viabilizar a descarbonização, talvez poucos sejam tão relevantes como o modelo de negócio: qual arranjo melhor acomoda os riscos e viabiliza os investimentos? Como monitorar a transição e garantir sua sustentabilidade ao longo do tempo?

Essas perguntas orientaram o 4º encontro da plataformae-FAST Brasil. O evento apresentou os capítulos dedicados a modelos de negócio e indicadores de monitoramento do Roteiro para Eletrificação do Transporte de Carga, em desenvolvimento no âmbito da plataforma coordenada pelo WRI Brasil.

O Roteiro vem consolidando contribuições de parceiros e-FAST Brasil, resultados de pilotos em operação e outras experiências nacionais e internacionais. Durante os encontros, já foram percorridos tópicos como políticas públicas, linhas de financiamento, veículos disponíveis e infraestrutura de recarga.

A apresentação sobre modelos de negócio e monitoramento foi conduzida por Daniel Schmitz, pesquisador da UFRJ e diretor executivo da Lùth-e, empresa parceira da e-FAST. As apresentações foram ponto de partida para os participantes debaterem os modelos mais aderentes a seus contextos e as barreiras a serem superadas.

Modelos de negócio: a decisão começa antes do veículo

Segundo Schmitz, a eletrificação cria oportunidades para novos modelos de negócio, à medida que decisões sobre propriedade do ativo e provisão de energia deixam de seguir a lógica tradicional do diesel. Assim, a apresentação foi organizada em torno desses dois aspectos.

Em relação à posse e uso do veículo, o leasing tem se destacado como alternativa às frotas próprias, por reduzir o investimento inicial e transferir parte do risco de valor residual para a montadora ou locadora. Quanto à recarga, apesar do alto custo de implantação, modelos que se baseiam na recarga pública ou provida por terceiros têm ganhado espaço como alternativa à recarga própria na base.

Para ilustrar como esses arranjos podem se modificar conforme a realidade de cada empresa, Daniel apresentou um caso que Lùth-e e C40 Cities têm acompanhado no Rio de Janeiro, de empresas que operam com veículos de porte semelhante, mas adotaram modelos distintos: algumas contratando a infraestrutura de recarga, outras empregando a recarga própria. Duas das empresas, após testarem os hubs públicos disponíveis na cidade, decidiram migrar para o modelo híbrido – uma delas complementando a recarga lenta na base, outra mantendo a locação de carregadores. “São empresas vizinhas, [com] operações parecidas e veículos similares, escolhendo modelos diferentes e até mudando de ideia no caminho. O modelo certo é o que cabe na operação e estratégia de cada empresa”, afirmou.

À medida que os valores dos veículos elétricos ficam mais competitivos e a infraestrutura de recarga se estabelece, a avaliação sobre o melhor modelo para cada operação também tende a evoluir.

Monitorar para decidir com base em dados

Uma vez que eletrificar muda a operação inteira, e não apenas o veículo, é preciso gerir muito mais do que o desempenho da nova frota. Por isso, um monitoramento robusto é uma das chaves para o sucesso da transição. “Monitorar é o que transforma incertezas em uma rotina controlada, permitindo ajustar rotas, horários de recarga, antecipar gargalos e comparar o desempenho real com o que foi planejado”, explicou Daniel.

O Roteiro para Eletrificação da e-FAST Brasil abordará os indicadores recomendados para monitoramento. “Entender como a eletrificação está avançando no transporte de carga cria oportunidades para novas experiências, lições aprendidas, perfis de operação caso a caso, e fortalece o senso de avanço em grupo. Nenhuma empresa enfrenta os desafios sozinha. É isso que estamos construindo com este Roteiro, no âmbito da e-FAST Brasil”, destacou Mariana Barcelos, coordenadora de Descarbonização do Transporte do WRI Brasil.

Parceria com Ministério dos Transportes e próximos passos

O encontro selou a formalização do Ministério dos Transportes como parceiro oficial da iniciativa, por meio de acordo de cooperação técnica com o WRI Brasil.

Faça parte da e-FAST Brasil

A primeira plataforma brasileira dedicada a acelerar a descarbonização do transporte de carga segue em crescimento, com mais de 50 empresas e organizações parcerias já registradas. Para saber mais sobre a atuação da rede, acesseefastbrasil.org ou escreva paraefastbrasil@wri.org.

As próximas atividades incluem o 2º Recharge e-FAST, dia 30 de julho, trazendo exemplos internacionais de modelos de negócios e alocação de riscos; e o 5º encontro da e-FAST Brasil, presencial, na cidade de São Paulo, no dia 20 de agosto. Mais informações em breve.