
Essas perguntas orientaram o 4º encontro da plataformae-FAST Brasil. O evento apresentou os capítulos dedicados a modelos de negócio e indicadores de monitoramento do Roteiro para Eletrificação do Transporte de Carga, em desenvolvimento no âmbito da plataforma coordenada pelo WRI Brasil.
O Roteiro vem consolidando contribuições de parceiros e-FAST Brasil, resultados de pilotos em operação e outras experiências nacionais e internacionais. Durante os encontros, já foram percorridos tópicos como políticas públicas, linhas de financiamento, veículos disponíveis e infraestrutura de recarga.
A apresentação sobre modelos de negócio e monitoramento foi conduzida por Daniel Schmitz, pesquisador da UFRJ e diretor executivo da Lùth-e, empresa parceira da e-FAST. As apresentações foram ponto de partida para os participantes debaterem os modelos mais aderentes a seus contextos e as barreiras a serem superadas.
Modelos de negócio: a decisão começa antes do veículo
Segundo Schmitz, a eletrificação cria oportunidades para novos modelos de negócio, à medida que decisões sobre propriedade do ativo e provisão de energia deixam de seguir a lógica tradicional do diesel. Assim, a apresentação foi organizada em torno desses dois aspectos.
Em relação à posse e uso do veículo, o leasing tem se destacado como alternativa às frotas próprias, por reduzir o investimento inicial e transferir parte do risco de valor residual para a montadora ou locadora. Quanto à recarga, apesar do alto custo de implantação, modelos que se baseiam na recarga pública ou provida por terceiros têm ganhado espaço como alternativa à recarga própria na base.
Para ilustrar como esses arranjos podem se modificar conforme a realidade de cada empresa, Daniel apresentou um caso que Lùth-e e C40 Cities têm acompanhado no Rio de Janeiro, de empresas que operam com veículos de porte semelhante, mas adotaram modelos distintos: algumas contratando a infraestrutura de recarga, outras empregando a recarga própria. Duas das empresas, após testarem os hubs públicos disponíveis na cidade, decidiram migrar para o modelo híbrido – uma delas complementando a recarga lenta na base, outra mantendo a locação de carregadores. “São empresas vizinhas, [com] operações parecidas e veículos similares, escolhendo modelos diferentes e até mudando de ideia no caminho. O modelo certo é o que cabe na operação e estratégia de cada empresa”, afirmou.
À medida que os valores dos veículos elétricos ficam mais competitivos e a infraestrutura de recarga se estabelece, a avaliação sobre o melhor modelo para cada operação também tende a evoluir.
Monitorar para decidir com base em dados
Uma vez que eletrificar muda a operação inteira, e não apenas o veículo, é preciso gerir muito mais do que o desempenho da nova frota. Por isso, um monitoramento robusto é uma das chaves para o sucesso da transição. “Monitorar é o que transforma incertezas em uma rotina controlada, permitindo ajustar rotas, horários de recarga, antecipar gargalos e comparar o desempenho real com o que foi planejado”, explicou Daniel.
O Roteiro para Eletrificação da e-FAST Brasil abordará os indicadores recomendados para monitoramento. “Entender como a eletrificação está avançando no transporte de carga cria oportunidades para novas experiências, lições aprendidas, perfis de operação caso a caso, e fortalece o senso de avanço em grupo. Nenhuma empresa enfrenta os desafios sozinha. É isso que estamos construindo com este Roteiro, no âmbito da e-FAST Brasil”, destacou Mariana Barcelos, coordenadora de Descarbonização do Transporte do WRI Brasil.
Parceria com Ministério dos Transportes e próximos passos
O encontro selou a formalização do Ministério dos Transportes como parceiro oficial da iniciativa, por meio de acordo de cooperação técnica com o WRI Brasil.
Faça parte da e-FAST Brasil
A primeira plataforma brasileira dedicada a acelerar a descarbonização do transporte de carga segue em crescimento, com mais de 50 empresas e organizações parcerias já registradas. Para saber mais sobre a atuação da rede, acesseefastbrasil.org ou escreva paraefastbrasil@wri.org.
As próximas atividades incluem o 2º Recharge e-FAST, dia 30 de julho, trazendo exemplos internacionais de modelos de negócios e alocação de riscos; e o 5º encontro da e-FAST Brasil, presencial, na cidade de São Paulo, no dia 20 de agosto. Mais informações em breve.